SOCIEDADE
A SOCIEDADE
A SOCIEDADE:
RESUMO DE NOSSA VIVÊNCIA AO LONGO DA VIDA
Década de 30 – Lembranças de 1932 até 1939;
A felicidade era sempre a espera do momento da alimentação, tendo comida havia felicidade. A sobrevivência era o sonho.
Década de 40 - Lembranças e observações de 1940 até 1949;
Iniciamos os estudos numa escola pública, descobrimos pertencer ao grupo mais pobre do bairro.
Por ser filho sem pai, eu tinha como meta e destino a escola industrial… Laser era restrito aos padrões e hábitos da comunidade. Tínhamos que construir nossos brinquedos.
Década de 50 - Observações de 1950 até 1959;
Com o conhecimento real de novas cidades, pude constatar na prática diária que bastava não contrariar o modelo operacional da cidade, bairro, comunidade, instituição, trabalho e amizades…, assim a paz pessoal estava garantida. Já tinha a sobrevivência básica garantida.
Através apenas da observação continuada dos eventos, fatos e comportamentos, podemos constatar as tendências de todos. Por volta de 1955, no Largo da Pólvora em Belém do Pará, constatamos termos sido programados para a Vitória.
Década de 60 - Observações e constatações de 1960 até 1969;
Já com família constituída, foi fácil persistir observando e constatando o funcionamento natural de todo complexo existente externamente e internamente; bastava não contrariar o modelo, trabalhar para atender o programado e descobrir que quando as coisas não funcionavam era por falha ou falta pessoal.
Década de 70 – constatações de 1970 até 1979;
Não contrariar as regras passou a ser rotina, constatar modelos operacionais também, logo, conviver na plêiade de modelos ficou suave. Primeira viagem ao exterior foi decisiva na constatação plena de que estávamos diante de uma visão entendida. A cada contato uma regra invisível mais real e objetiva era vivida. A observação dos modelos por todos, passa a determinar o grau de comprometimento da família, da comunidade, da instituição, da empresa, do mercado e finalmente da nação. Quando todos cumprem as regras, os modelos se ajustam automaticamente. Daí resulta o grande sistema, intangível, invisível mais real. Resultante da existência do único animal racional até agora conhecido. De sua existência decorre o sistema. Não possuímos o poder de criar, no entanto, podemos destruir.
Década de 80 - Constatações e pesquisas de 1980 até 1989;
Passamos à pesquisa integral dos nossos modelos e de outras nações, fomos em busca dos pensadores famosos, dos filósofos, economistas, dos ideólogos; em todos constatamos a busca incessante por um método ou processo visando suavizar as distorções existentes. A mitologia, as religiões, os gurus, os iluminados; todos, enfim, nos afagam com soluções para o futuro; enquanto isso, os sistemas tecnológicos evoluíram propiciando um terreno fértil ao aumento da alienação global e do poder destrutivo isolado de cada humano. A conectividade estava sendo processada e as pesquisas e constatações começaram a ser facilitadas e ao mesmo tempo perniciosas.
Década de 90 - Constatações e pesquisas de 1990 até 1999;
Década de 00 - Constatações no campo e pesquisas de 2000 até 2009;
A constatação da realidade passou a ser simplificada, a tecnologia disponibiliza facilidades de documentação e constatação da memória dos diversos sistemas. O conhecimento está a disposição de qualquer humano em qualquer parte do planeta. Só não sabe quem não quer ou não deseja conhecer. Mesmo assim, como nosso trabalho é pessoal e restrito as nossas observações adquirimos o hábito de buscar nos livros antigos o que foi pensado e escrito sobre todo o complexo desenvolvido pelos humanos.
Década de 10 - Constatações no campo e pesquisas de 2010 até 2017;
Em sendo a constatação da realidade um trabalho empírico e pessoal, continuamos a busca da memória disponível no sistema. Neste ano de 2017, justo no primeiro trimestre, adquiri nas bancas de rua de livros antigos o livro de Peter L Berger (Perspectivas Sociológicas, uma visão humanista) onde a sociedade é observada e são dissecados todos seus efeitos apostos à vivência dos humanos na terra. Observações verdadeiras e pertinentes aos profissionais de sociologia, ciências e profissões afins. Tudo inserido no sistema maior. Transcrevo as conclusões finais do autor que, em suma, retrata a realidade sistêmica em que vivemos e que nos insere no jogo da vivência na terra. No prefácio ele confessa não ser condescendente e diz o seguinte: “Admito francamente que, entre as diversões acadêmicas hoje disponíveis, considero a sociologia como uma espécie de “esporte dos reis” – não se convida para um torneio de xadrez pessoas que mal sabem jogar dominó” (página 5, prefácio, 4ª edição, editora vozes, 1978).
Em contrapartida, se tivéssemos que fazer uma analogia tal qual fez o autor, diríamos: – Admito francamente que para os mais humildes, os quais vieram para terra e habitam comunidades onde falta o pão e condições básicas de sobrevivência, que entre as diversões hoje disponíveis, considero a aquisição da simples visão do seu sistema como uma espécie de “esporte da libertação” – não se convida para jogar marrai pessoas que mal sabe jogar pinto galo. – Pela analogia, pode ser vista a distância entre o Peter L Berger e este autor.
Em outro parágrafo, Peter L Berger diz: “As instituições trazem consigo um princípio de inércia, talvez alicerçada, em última instância, na rocha firme da estupidez humana” (ibidem, página 80).
Por fim, o que conclui Peter L Berger: “A compreensão sociológica leva a um grau considerável de desencanto. Um homem desencantado constitui um mau investimento, tanto para movimentos conservadores como revolucionários; para os primeiros porque esse homem não possui a necessária dose de credulidade nas ideologias do “status quo” e para os segundos porque ele se mostrará cético em relação aos mitos utópicos que invariavelmente constituem o pão espiritual dos revolucionários. Contudo, não é preciso que tal inutilidade para os quadros atuais ou futuros regimes deixe o homem desencantado numa atitude de alienado cinismo. A rigor poderá levar a isso. Outra opção é aquela que em nosso entender é a mais plausível, a partir da compreensão sociológica; uma opção que combina compaixão, participação limitada e um senso do que existe de cômico no circo social do homem. Ela levará a uma atitude baseada numa concepção da sociedade como uma comédia, na qual os homens desfilam de um lado para o outro com seus trajes aparatosos, mudam de chapéus e de títulos, golpeiam-se uns aos outros com seus cacetes de que dispõem ou com aqueles em que puderem persuadir os outros atores a acreditarem. Essa perspectiva cômica não esquece o fato de que cacetes fictícios podem fazer correr sangue real, mas nem por isso será levada a confundir a aldeia Potemkin com a cidade de Deus. Quem encara a sociedade como uma comédia não hesitará em trapacear, sobretudo se com a trapaça puder aliviar uma dorzinha aqui e tornar a vida um pouco mais alegre ali. Recusar-se-á a levar a sério as regras do jogo, salvo na medida em que essas regras protegem seres humanos reais e promovem valores humanos reais. O maquiavelismo sociológico constitui, pois, o oposto do oportunismo cínico. É a maneira como a liberdade se pode concretizar em ação social (ibidem, páginas 179 – 180).