HOMEM

FASES DA VIDA NO SISTEMA

A chegada do ser humano ao planeta Terra é caracterizada pelo despertar do programa natural do animal, o sopro da vida representado pelo choro abrupto e início da respiração. A partir do momento da chegada, começa a contagem de seu tempo. Nasce um bebê, animal puro, uma criança que será cuidada, amada, educada e moldada conforme a capacidade econômica, a cultura e os hábitos dos pais. A criança será inserida e acolhida no sistema por meio de uma certidão de nascimento que lhe confere um nome através do qual passará a ser conhecida dentro de sua comunidade. Receberá inicialmente a alimentação para a sobrevivência e passará a receber ensinamentos básicos sobre os cuidados com o corpo e a saúde. O animal vai se transformando em ser humano. Com o correr do tempo, acumulará gradativamente novos conhecimentos que lhe permitam viver em sociedade. Aprenderá a distinguir o bem do mal, as capacidades e vulnerabilidades do homem e do seu habitat. O ciclo vital esperado para esse ser engloba a infância, a adolescência, a fase adulta, a velhice e a morte.

O sistema vai controlando os passos e atitudes do ser no planeta ao longo da sua vida: estimulando e restringindo, concentrando e dispersando, premiando e punindo. O sistema afeta diretamente a liberdade e mobilidade do ser humano, convencionando e impondo tabus, dispondo barreiras e confinando o elemento dentro dos limites do próprio sistema. O grau de intensidade da interferência do sistema no ser humano varia conforme a fase da vida deste.

Na infância, o sistema representado fundamentalmente pela família é um tanto permissivo, tolerando os pequenos erros em prol da educação comportamental e da coesão familiar. A criança começa a ser preparada para a vida, aprendendo o idioma, as noções básicas de higiene, da preservação e da convivência.

Na adolescência, o sistema amplia a área de atuação do indivíduo visando à integração à comunidade a que pertence e ao desenvolvimento do relacionamento interpessoal, necessário para a fase adulta. A educação formal e o preparo profissional são destacados nesta fase.

Quando o indivíduo chega à idade dita adulta, o sistema o adota como um elemento produtivo, que colabora com a sua manutenção e será o responsável pela formação e sustento de um novo núcleo familiar. O indivíduo passa a viver em função do sistema.

Na velhice, o sistema tende a abandonar e descartar o ser humano partindo de uma premissa de que a sua produtividade cairá, sendo recomendável a substituição por outro elemento mais novo. Isso acaba por levar o idoso à inatividade funcional. Jogado à ociosidade, o idoso busca novas ocupações como forma de se manter em atividade mas encontra reações contrárias naquele que seria o seu refúgio seguro, o sistema familiar. A família, repleta de bons propósitos quer preservá-lo de tarefas que esse sistema julga incompatíveis com a idade e pretensas deficiências no que diz respeito à sua saúde. É comum, então, o idoso se recolher aos limites físicos do ambiente familiar e se sentir um incômodo para os seus, passando a considerar que, de fato, ele não tem mais serventia para o sistema e que isto é normal para um velho como ele.

Por fim, a despedida do ser humano do planeta em condições normais trata-se de ocorrência natural e encerra o ciclo vital. O sistema faz com que ele seja pranteado durante certo tempo pelos que com ele conviveram ou dele tomaram conhecimento até que sua existência caia no esquecimento geral.

Cabe ao humano identificar o sistema que existe e que permanecerá existindo, independente de sua vontade, procurar aproveitar o que o sistema pode lhe proporcionar de bom, considerando que o ser mais importante a habitar o planeta é ele próprio, que o bem mais precioso de que dispomos é o tempo, que a dor que ele sente é a pior dor, que os prazeres de que ele desfruta são os que propiciam maior satisfação, pois, repetindo, ele é o ser mais importante do planeta. Viver bem no sistema pode ser fácil, sendo necessário, para isso, compreender os diversos papéis que cada um representa ao longo da vida, reconhecer os limites e a influência do sistema no ser humano, buscar uma independência do sistema mesmo que ela seja inalcançável, reconhecer e manter sob controle a sua capacidade destrutiva e, sempre, procurar viabilizar tudo aquilo que lhe dá conforto e prazer.

Constate e seja bem-vindo ao capitalismo do futuro.