GOVERNO

ALFABETIZAÇÃO

UMA ABORDAGEM SISTÊMICA

As decisões mais importantes dentro de um sistema são tomadas por quatro organizações hierárquicas, dentro de uma nação: a sociedade anônima, a burocracia pública, o sindicato e o partido político. Estas quatro organizações é que determinam, em princípio, os caminhos a seguir. No entanto, existem entraves à evolução de qualquer sistema: o analfabetismo, a pobreza e a corrupção.

Os sistemas que não investiram na solução destes três problemas, terão muita dificuldade de faze-lo no estágio atual de desenvolvimento tecnológico do mundo, visto que os desejos não atendidos são maiores, a quantidade de informações está acima da capacidade de processamento do homem comum, a inteligência disponível é diferente da quantidade de conhecimento existente.

Em busca de uma direção para o futuro, onde a tecnologia disponível desponta com possibilidades pouco imagináveis há menos de 10 anos atrás, é que procuramos encarar os três problemas básicos da sociedade do futuro.

Começamos por uma abordagem do analfabetismo, num estudo onde usamos a memória do nosso sistema.

Quem estudar o porquê da necessidade de alfabetização de uma sociedade humana naturalmente será conduzido a visualizar que as decisões vêm sempre de cima para baixo, da elite dirigente para o povo. Podemos constatar que alfabetizar é projeto para uma sociedade evoluída.

A evolução deve começar pelo homem.

O analfabetismo, em uma sociedade, impede o acesso a modernização.

ALFABETIZAÇÃO É EVOLUÇÃO

Há mais de 50 anos ouvimos falar, com freqüência, sobre a necessidade de alfabetizar o povo brasileiro.

Conquanto se tenha verificado esta necessidade há tanto tempo, numa época em que as elites se encontravam bem mais próximas do povo, constatamos que, ainda hoje, permanece o problema. No decorrer deste tempo, em nada mudou o discurso dos políticos, oportunidades surgiram e foram perdidas, várias vezes os mesmos erros foram cometidos e persiste inalterada a situação de analfabetismo da nossa gente.

Se alfabetizar for, realmente, desejo nacional, deverá sê-lo das elites visíveis, neste momento, no país. A vontade do povo virá naturalmente, uma vez que ao povo cabe receber as benesses de qualquer evolução e alfabetizar é evoluir. Não basta a vontade dos políticos, pois, esta a eles pertence e já são alfabetizados. Igualmente, se a comunidade para a qual o projeto deve ser desenvolvido viver de valores circunstanciais, por si, jamais crescerá, porque já está no topo de suas aspirações e, provavelmente, suas riquezas básicas são bens materiais. Assim, sua atitude tende a manter a comunidade no estágio em que se encontra. Desta forma, qualquer evolução do povo deve começar pela evolução das elites.

Todos os desejos de qualquer povo que quer progredir têm, necessariamente, que passar por um projeto de sistema, onde exista memória de todas as tentativas anteriores, para evitar incorrer na repetição dos erros cometidos e na falsa premissa de que basta criatividade e inteligência política.

O que observamos, no Brasil, é que a alfabetização sempre foi encarada como atividade política que, com alocação e distribuição de recursos, como em um passe de mágica, é capaz de trazer a glória para todos. Em consequência, daqui a cinqüenta anos estaremos, ainda, às voltas com o problema e criando fórmulas milagrosas de resolvê-lo.

A abordagem desse tema como um todo nos leva a concluir que, antes de qualquer nova tentativa, devemos realmente elaborar um projeto onde se verifique, primeiramente, em que condições brotaram e como atuam as elites para que, a partir delas, possamos atingir o povo de forma eficaz.

Somente através da visão sistêmica é possível mergulhar em qualquer área em que se apresente uma necessidade humana. De outro modo, conviveremos eternamente com interesses localizados, ganhos pessoais e, mais uma vez, restará ao Brasil, apenas, o prejuízo.

Observando a alfabetização no Brasil nos últimos 50 anos.

1) Na década de 40 aceitávamos a pobreza e o analfabetismo

2) Na década de 50 começamos a nos defrontar com os problemas do analfabetismo

3) Na década de 60 tentamos através de vários projetos erradicar o analfabetismo

4) Na década de 70 constatamos o nosso fracasso e continuamos a luta

5) Na década de 80, ao permitir o voto do analfabeto decretamos nossa incapacidade a médio prazo de banir o analfabetismo do nosso meio

6) Na década de 90 apesar dos esforços isolados e de despontarmos como uma nação em desenvolvimento ainda continuamos um pais de analfabetos.

Em qualquer sistema a educação do povo está sempre na dependência da educação e da evolução da sua elite, logo qualquer solução possível, necessariamente passará pela elite.

A abordagem sistêmica do analfabetismo e da pobreza traz à tona a relação entre os mesmo (analfabetismo e pobreza).