GOVERNO

CÍRCULO VICIOSO DA POBREZA

UMA ABORDAGEM SISTÊMICA

A solução para a pobreza dentro de uma sociedade esta ligada à capacidade do seu povo em usufruir dos bens colocados a disposição da mesma em decorrência da evolução tecnológica como um todo. No entanto, se a sociedade evoluiu apenas materialmente, pouco podemos esperar na solução deste problema, se as elites dirigentes ainda estiverem no estágio de lutas internas, como podemos observar no estudo do sistema brasileiro.

É fácil constatar que, em 50 anos, conseguimos concentrar ainda mais a riqueza nacional. Só uma sociedade evoluída sente a real necessidade de melhor distribuição de renda e compreende que uma melhor distribuição depende da evolução do homem. A distribuição da renda só será possível com o enriquecimento da elite.

Uma melhor distribuição depende da evolução do homem.

A pobreza é um limite inferior da riqueza, sendo visível.

A riqueza é um limite superior de poder, não visível e instável.

A miséria é um limite inferior da pobreza, visível e estável.

Círculo Vicioso da Pobreza

Ao olhar para si, numa visão introspectiva, o homem constata que seus desejos, ações, preferências, lugares por onde anda, princípios que defende, a definição de sua felicidade, tudo, enfim, a ele relacionado traz, intensamente, a presença da influência de um sistema criado pela própria inteligência humana em busca da melhor adequação à vida.

Descobrindo-se racional, o homem aciona seus mecanismos de auto-preservação e defesa da espécie, os quais devem ser atendidos e expandidos por seus desejos, que têm como principal fonte a sua educação e dão origem a um padrão de comportamento que se fará presente por toda a sua vida.

Dentre os fatores que moldam os anseios do ser humano, aqueles que maior influência apresentam são os que mais fortemente marcaram o povo do qual faz parte e, em particular, a elite deste povo. Assim, quando se observa uma sociedade, deve-se tentar conhecer profundamente a sua elite e os tipos de alimento que esta necessita para manutenção de sua felicidade, explicitando-os claramente. Se a pobreza constar desta relação, é extremamente difícil, de dentro do sistema, modificar o seu padrão, pois, o status de um povo é o status de sua elite. Se um povo tem uma elite pobre, só resta ser eternamente pobre porque sua pobreza alimenta a elite e a esta não caberá o papel de elevá-lo.

É claro que não interessa a qualquer um que conheça seus limites propiciar o crescimento de outrem que poderá ultrapassá-lo. O problema reduz-se a uma questão de sobrevivência e manutenção do status. Enquadram-se neste caso, lamentavelmente, em sua grande maioria, os nossos empresários, políticos e líderes de toda a espécie que vislumbram, no momento, apenas um lugar para obter benesses e ganhar dinheiro, pressupondo tornarem-se ricos. Para uma elite pobre, a inflação é um ótimo negócio.

Como corolário da pobreza surgem a incompetência e a personificação da riqueza, apenas nos bens materiais, na ilusão de que ser rico é apenas ter dinheiro. Se assim o fosse, a felicidade do homem poderia, por definição, ser garantida e os países, ditos desenvolvidos, congregariam os povos mais felizes do mundo.

Mas, onde se encontra a elite da Pátria?

A elite que brota naturalmente, que surge ao formar-se qualquer sistema, com a missão de preservá-lo e garantir toda a sua futura elite, esta sim, nasce da inteligência e do grau de desenvolvimento de seu povo. Assim, qualquer atividade que tenha como meta uma evolução da Pátria terá, necessariamente, que passar por esta elite e dela sairá o exemplo para que outros valores pátrios sejam cultivados, pois, para que uma nação alcance o progresso, as elites têm que progredir, transformando o seu exemplo em legado para todos. A ela não é permitida toda a sorte de erros.

Em sendo a pobreza alimento básico da elite, somente resta uma possibilidade de solução: encontrar caminhos e motivações que propiciem seu enriquecimento. A pobreza nacional somente será quebrada com o enriquecimento de sua elite através da aquisição de valores nacionais. Aí sim, ela terá condições de dar e fazer algo por seu país.

Não se divide pobreza

No estágio em que nos encontramos, ou procuramos entender como os sistemas operam e aceitamos seu funcionamento autônomo, ou prosseguimos conformando-nos em conviver com a fome e a miséria, entre esparsos fulcros de aparente riqueza, e quedarmo-nos perplexos ao ver que coisas, mesmo as mais elementares, que funcionam em outros países são, aqui, flagrantemente inoperantes.

Por saber que os círculos viciosos não se quebram facilmente, ao tentar desenvolver um modelo devemos estar atentos para não buscar soluções mágicas para problemas ditos insolúveis, mas, ao contrário, é necessário convencermo-nos da possibilidade de construção de um sistema que nos permita, com valores nossos, abandonar o oceano estagnado da indigência moral e intelectual da pobreza e do subdesenvolvimento.

O estado de desenvolvimento tecnológico que atingiu o planeta Terra, a quantidade de conhecimento disponível nas diversas bibliotecas das universidades dos países desenvolvidos, a quantidade de inteligência existente nos países subdesenvolvidos e o conhecimento dos erros acumulados, cremos ser o suficiente para a alavancagem que necessitamos.

Os métodos e processos existem e estão disponíveis em qualquer parte do globo. Só nos resta TRABALHAR.

Os homens são limitados no espaço e no tempo.

A memória pertence ao Sistema.

Observando a pobreza no Brasil nos últimos 50 anos concluímos:

1) Na década de 40 aceitávamos a pobreza e o analfabetismo.

2) Na década de 50 começamos o processo de questionamento.

3) Na década de 60 nos descobrimos capazes tecnologicamente, iniciamos a industrialização, passamos a ter uma classe média, no entanto, a distancia entre os mais ricos e mais pobres era visível.

4) Na década de 70 entramos na fase do milagre, propiciamos aos mais pobres possibilidade aparente de sobrevivência através vantagens simbólicas, iniciamos o processo de espalhamento da riqueza e pobreza tendendo à miséria.

5) Na década de 80 permitimos o voto ao analfabeto, aumentamos a velocidade de enriquecimento de alguns e a miséria para muitos. Para cada carro novo que adentra nossas estradas, algumas famílias tornam-se miseráveis; descobrimos um método de geração de riqueza sem trabalho.

6) No início da década de 90 somos um país de miseráveis onde se legalizou a mais cruel das escravidões, a do homem livre e faminto.