GOVERNO
Relato condensado da realidade histórica constatada em setenta anos de observação pessoal
Vamos resumir e caracterizar nossas observações e questionamentos nos diversos espaços e situações problemas que vivenciamos ao longo de sete décadas dedicadas em observar o Brasil real.
Década de 40 - Questionamentos e observações de 1940 até 1949
Situação geográfica: bairro pobre de Aracaju; ocupação: estudante de escola pública; objetivo: ajudar na sobrevivência da família.
Questionamento: por que sou pobre e tenho que lutar para sobreviver?
Observações: não tenho culpa por ser filho de mãe solteira; a distância entre os mais pobres e os mais ricos não era chocante, os mais ricos eram os donos da cidade.
Conclusão: é possível que um dia venha a entender tudo isso.
Década de 50 - Questionamentos e observações de 1950 até 1959
Situação geográfica: Rio de Janeiro, bairro Osvaldo Cruz; São Paulo, bairro Brás; cidade Guaratinguetá; cidade Belém no Pará; cidade Amapá no Amapá; cidade Belém no Pará e cidade de Campos dos Goitacás no Rio de Janeiro.
Ocupação principal: Torneiro mecânico no Rio de Janeiro. Aluno de escola Especialista no Brás e em Guaratinguetá. Técnico em manutenção em Belém, Amapá e Campos dos Goitacás.
Questionamentos: 1) No Rio de Janeiro: ser pobre não choca e ser técnico facilita a sobrevivência; a cidade não tem dono, o bairro tem; 2) em São Paulo: por que nossa escola tem modelo de ensino apoiado pelos EUA; Em São Paulo ser técnico tem mais valor, é mais fácil ainda sobreviver; 3) em Belém como técnico já sentia quão importante era ser um profissional especializado; 4) em Amapá assumi uma posição de chefe de oficina; 5) em Campos técnico e estudante no Liceu de Campos.
Observações: No Rio de Janeiro: você tem mais liberdade por estar inserido num grupo maior, longe dos donos; em São Paulo você tem liberdade e muito mais oportunidade; em Belém você é mais importante como técnico; grande movimentação de aeronaves dos EUA em Belém;em Amapá você passa a ser mais observador e crítico; em Amapá vivia com o apoio dos restos deixados pelos norte-americanos; além de terem construído um aeroporto de primeira, implantaram tudo o que era necessário para uma comunidade; em Campos como técnico durante o dia e estudante durante a noite.
Conclusões: 1) é possível que um dia venha a entender tudo isso; 2) por que não copiamos e aprendemos com os norte-americanos? Em Campos começamos a observar que não possuímos controle de nada, tínhamos liberdade e responsabilidade não tínhamos apoio logístico efetivo.
Década de 60 - Questionamentos e observações de 1960 até 1969;
Situação geográfica: Cidade de Campos- Rio de janeiro; Rio de Janeiro – Rio de Janeiro; Cidade de Curitiba – Paraná; Rio de Janeiro – cidade do Rio de Janeiro (bairro Centro, Praia vermelha e centro) – Rio de Janeiro.
Ocupação principal: técnico de radar, estudante e especialista em manutenção.
Questionamentos: no Rio de Janeiro: por que o governo americano programou um curso de radar no Brasil trazendo todo material didático, inclusive profesor de inglês para técnicos brasileiros? Por que do programa ponto 4 no Brasil; por que não copiamos e aproveitamos o exemplo? Em Curitiba: uma transformação de um técnico em um especialista, um exemplo a ser seguido.
Observação: no Brasil ainda não acordamos para a necessidade técnica como elemento que sedimenta os projetos.
Conclusão: é possível que um dia venha a compreender e entender este proceder.
Década de 70 - Questionamentos e observações de 1970 até 1979;
Situação geográfica: Rio de Janeiro, bairros centro e Praia Vermelha; primeira viagem ao exterior.
Ocupação principal: aluno do Instituto Militar de Engenharia IME e engenheiro de comunicações.
Questionamento: por que o Brasil não tem um programa especifico para aproveitamento dessa capacidade técnica em formação?
Observação: jogar todo esse potencial no mercado de trabalho além de gerar frustrações desperdiçará todo o potencial disponível em cada um.
Conclusões: Quando vamos apreender com os americanos? Quando vamos pensar no Brasil?
Década de 80 - Questionamentos e observações de 1980 até 1989;
Situação geográfica: Rio de Janeiro – Rio de Janeiro, bairro Centro.
Ocupação principal: engenheiro de comunicações e observador acurado dos problemas Brasil.
Questionamentos: Tudo que consegui ao longo destas décadas, agradeço a minha perseverança e às oportunidades oferecidas pelo sistema Brasil; os nossos engenheiros não são afeitos a enfrentar o campo, projetamos, implantamos e abandonamos.
Observação: somos um país sem futuro, estamos fadados à repetição de métodos e processos em torno do nada.
Conclusões: é possível buscar uma saída, afinal de contas tudo que apreendi e exercitei devo a minha perseverança e ao Brasil por ser um caos ordenado.
Com a sobrevivência garantida em 1984, iniciei meu caminho em busca de uma possível solução para o projeto Brasil.
Objetivo mestre: gerar o produto que o Brasil necessita e que esse produto fosse realmente necessário ao Brasil sem necessidade de jogadas ou falcatruas. Esta é a missão da Infodesign, que ao estudar o Brasil percebeu o Planeta e suas plêiades de problemas.
Década de 90 - Questionamentos e observações de 1990 até 1999;
Situação geográfica: Rio de Janeiro – Rio de Janeiro.
Ocupação principal: Desenvolver métodos e processos que facilitem a resolução das situações problemas vivenciadas pela falta de planejamento, corrupção, analfabetismo e pobreza.
Questionamentos: O caminho que trilhei até o momento foi tranquilo visto que perseverei em observar de forma limpa os nossos problemas e suas repetições a cada quatro anos.
Observações: tudo resulta em manter slogans e imaginar que as soluções das situações problemas estão na mão da política e não no comando político.
Conclusões: Como para ser político não é exigida nenhuma qualificação alem de não ser analfabeto, sua função pode ser exercida por qualquer cidadão, desde que seja um bom líder, sensato e se possível filosofo (como recomendava Platão); se a comunidade, a cidade, a nação e a terra “operar como um sistema” a política, bem como os modelos passam a ser transparente.
Década de 00 - Questionamentos e observações de 2000 até 2009;
Situação geográfica: Rio de Janeiro – Rio de Janeiro
Ocupação principal: Continuar o trabalho da década anterior, prosseguir no aprimoramento do trabalho sobre gerencia global encaminhado a todos os governadores de estados e presidência em 1995.
Questionamentos: a corrupção não é nosso principal problema, ela faz parte de nosso “modus operandi” e é bem-vinda. Nada funciona sem um jeitinho, sem uma jogada, esse é nosso modelo.
Observações: é necessário se proceder a um enriquecimento de nossa elite.
Conclusões: É necessário procedermos a um resgate da Bandeira.
Década de 10 - Questionamentos e observações de 2010 até 2019;
Situação geográfica: Rio de Janeiro – Rio de Janeiro
Ocupação principal: continuamos os trabalhos das décadas anteriores.
Questionamentos: Acabar com a corrupção nos comandos em nada vai nos ajudar, vamos apenas gerar um pequeno ruído sistêmico. O corpo é o mesmo e está deteriorado.
Observações: Ainda não conseguimos ver o todo operacional.
Conclusões: Slogan, pronunciamentos e protestos servem apenas para manter o status quo.