HOMEM

ESTÁGIOS EVOLUTIVOS NO SISTEMA

Na antiguidade, os valores sistêmicos nos reinados, nos impérios, nas monarquias, nas ditaduras e nos regimes tiranos eram visíveis por todos. A distância entre o miserável e os nobres e poderosos era visível. Nas escravaturas, a vida dos escravos era atrelada à dos seus senhores. Eventualmente tanto escravos como escravas poderiam ser agraciados com as benesses de seus senhores.

Com a evolução tecnológica e a globalização acabaram-se as escravidões; as pontuais, quando detectadas, são punida pelo sistema que, por sua vez, escraviza a todos nós. Infelizmente, pelo que sabemos, o sistema resulta do privilégio de sermos o único animal dito racional no planeta, e existe para nos proteger. Somos todos escravos, do mais miserável até aqueles listados como os pobres mais ricos do planeta.

A resolução dos problemas mais urgentes do planeta passará indubitavelmente pelo processo de enriquecimento dos pobres mais ricos e das celebridades reconhecidas como tal do momento. É mister que se dê prioridade àqueles que constam dos quinhentos ditos pobres mais ricos do planeta, lembrando que ao enriquecê-los não iremos taxá-los com impostos, nem confiscar seus bens físicos, nem suas riquezas. Eles precisam apenas saborear o limiar de seus limites e ao mesmo tempo constatar os porquês de sua pobreza. Tornar-se um rico esférico implica em reconhecer os seus limites e o porquê de sua pobreza.

Neste ponto, estaremos em condições de, sabendo os limites, buscar soluções viáveis ao alcance do novo capitalismo, onde as soluções para os problemas não sairão de reuniões de cúpula e sim do desejo dos novos ricos, por decisão própria. E fácil constatar no tempo e no espaço que não se divide pobreza nem ignorância, essa muito bem enraigada no seio da grande maioria dos seres humanos. Dela sobrevivem as disputas em torno dos bens alheios através das militâncias em torno do nada e dos ativimos em geral, fornecendo assim o melhor combustível a alimentação do sistema e seu poder destrutivo. O capitalismo de bens materiais está agonizando bem como seu combustível predileto advindo de lideranças infantis e adolescentes. O animal que habita o corpo dos humanos não assimila valores à esquerda e à direita, haja deuses para equalizar esse jogo em torno do lixo.

O sistema nos prepara para atender suas necessidades, nos absorve na hora em que somos produtivos e nos descarta na hora que deixamos de ser produtivos. Aprendemos muito bem o que nos ensinaram quando éramos crianças, adolescentes, adultos, idosos e então somos descartados para o retorno.

Não nos ensinaram nada sobre condições sanitárias da família, da comunidade nem das vizinhanças, aprendemos a cuidar de nosso bem-estar e de nossa saúde sem atentar para o resíduo que produzimos. Ninguém me falou, nem fala, de minha idade sanitária (os problemas derivados da falta de saneamento numa sociedade decorrem da idade sanitária dos seus governantes. Nas sociedades ditas em evolução, em média, somos todos crianças).

Não nos ensinaram nada sobre o tempo, apenas nos chamaram por nomes que caracterizam uma quantidade de anos, não me ensinaram que o tempo não volta e que é o bem mais precioso que possuímos, é o nosso capital. Ninguém me falou, nem fala, de minha idade tecnológica (a tecnologia nos dia de hoje será responsabilizada pela alienação do sistema no futuro, é ela quem mais absorve o tempo dos humanos).

Não nos ensinaram nada sobre a cor da pele dos humanos, nem do modus operandi dos diversos grupos de humanos, tampouco, das diversas origens e formas de vida. Ninguém me falou, nem fala, de minha idade sociológica (posso ser um sociólogo famoso, profissionalmente bem sucedido, com idade sociológica de um adolescente).

Não nos ensinaram nada sobre a emoção, nem da velocidade com que ela navega em nossos sentidos, dos perigos que corremos do conjunto, não vazio, resultante da interseção das emoções oriundas do animal naturalmente e a emoção nos humanos derivada do sistema devido a uma derrota qualquer. Ninguém me falou, nem fala, de minha idade emocional (posso ser um cientista famoso com idade emocional de uma criança).

Bem-vindo ao capitalismo do futuro, onde sua felicidade será um mero exercício.